LuizGonzaga_Logo(PNG)
Final da Página
www.edimilsonmendes.com
* BIOGRAFIA * e dados Estatísticos da Carreira do Rei do Baião
 
* SUAS ORIGENS

-- Luiz Gonzaga do Nascimento, nasceu na sexta-feira, dia 13 de Dezembro de 1912, na "Fazenda Caiçara", distante 2 léguas da cidade de Exu (PE) . Sua família morava nas terras  do Coronel João Moreira de Alencar, localizadas na nascente do Rio Brígida, município de Exu (PE), na Serra do Araripe, bem na divisa norte do Estado de Pernambuco com o Ceará.
 -- Foi batizado no dia 5 de janeiro de 1950 na Matriz de Exu, pelo padre José Fernandes de Medeiros, cujo padrinho foi o patrão de seus pais, o Coronel João Moreira de Alencar.
 -- Era o segundo dos nove filhos do lavrador, sanfoneiro e consertador de sanfona  "Januário José dos Santos (Seu Januário)"  e de  "Ana Batista de Jesus (Santana)", também trabalhadora da roça. Santana era reconhecida na região como boa rezadeira de novenas e cantadeira de benditos, inclusive em Latim, como era normal nas Igrejas até algum tempo atrás.

* O NOME

- "Luiz" em homenagem à Santa Luzia, cujo dia é comemorado em 13 de dezembro. [Iniciativa de seu pai]
- "Gonzaga" em homenagem a São Luiz Gonzaga. [Iniciativa do vigário da paróquia]
- "Nascimento" em homenagem ao mês do Natal, nascimento de Jesus

* O COMEÇO DO REI DO BAIÃO

Aos sete anos, Luiz Gonzaga já trabalhava com sua enxada. Mas preferia ficar olhando o pai consertar sanfonas e observar como se tocava esse instrumento. Januário era sanfoneiro respeitado em toda a região. E Luiz via o pai tocar, estudando os movimentos dos dedos, louco para experimentar o fole.
     Um dia, o pai na roça, Santana na beira do rio, Luiz pegou uma sanfona velha e começou a tocar. Com poucas tentativas já conseguia tirar melodias do instrumento. Foi quando a mãe chegou e lhe deu um safanão. Não queria um filho sanfoneiro que se perderia no sertão. Mas Januário gostava das tendências musicais do filho. Deixava o filho ir tocando as sanfonas que vinham de longe para serem consertadas. Só se assustou quando um dono de um terreiro muito concorrido, pediu licença para Luiz tocar num baile. O menino irrequieto e cheio de iniciativa, já andara tocando por lá, sem que Januário soubesse, fazendo grande sucesso.
     -- Fale com Santana, ela é que resolve -- disse Januário, ao mesmo tempo orgulhoso e temeroso pelo filho.
     Santana a princípio negou, mas depois resolveu deixar na mão dos homens o assunto. Conversa vai, conversa vem, Januário consentiu:
     -- E se der sono nele por lá?
     -- Ora, a gente arma a rede e manda ele drumi -- respondeu o dono do terreiro, com o sanfoneiro já garantido para a festa.
     Naquela noite Luiz tocou com todo entusiasmo, agradando em cheio. Mas realmente não resistiu. Os olhos pesaram, a sanfona tornou-se um fardo e o menino foi para a rede. Tão menino ainda que fez xixi enquanto dormia, fugindo para casa com vergonha.
     A partir de então passou a acompanhar Januário pelos forrós daquele sertão. Santana a princípio discordava mas calou-se depois de ver os dois mil réis que o menino ganhava revezando-se com o pai na sanfona. Ele aprendeu também a tocar zabumba e a cantar os benditos das novenas rezadas pela mãe.
     Há forte impressão de que foi o amor que impulsionou Luiz Gonzaga à Coroa de um dos segmentos da Música Popular Brasileira, talvez o mais autêntico, impregnado de brasilidade pura. O amor que lhe chegou como uma chama crepitante, fazendo queimar o seu coração de 17 anos. O amor à jovem Nazarena, a sua Nazinha, filha de Raimundo Delfino, do ramo dos Saraivas, prestigiada família da região. 
      O namoro não era admitido pelo severo pai da garota. Afinal, um tocador de fole "fulejo" como aquele "moleque", não tinha o direito, sequer, de olhar para sua filha. A audácia de Luiz Gonzaga custou-lhe a maior surra que já levou em toda a sua vida, aplicada pelos pais Januário e Santana. Então, fugiu de casa e só voltou famoso, com o título de "Rei do Baião".

* A VIDA MILITAR

Com 17 anos, após essa surra, saiu de casa e foi se alistar como voluntário no 22º Batalhão de Caçadores do Exército, em Fortaleza. Em 1930, foi com seu batalhão para a Paraíba, agitada com a revolta de Princesa. Os acontecimentos políticos evoluíram e, com a vitória de Getúlio Vargas, haveria a adesão do seu comando aos revolucionários e deslocamentos da tropa para Belém do Pará, Teresina, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a fim de pacificar os resistentes. Em Belo Horizonte, o corneteiro Luiz Gonzaga ganha o apelido de "Bico de Aço". Tocando sua corneta segue, em 1932, para São Paulo, no movimento constitucionalista, e para Mato Grosso, poque a guerra do Chaco, entre o Paraguaia e a Bolívia, exigia a guarda de nossas fronteiras. Dizia sobre esses tempos e essas andanças: "Nunca matei ninguém. O que eu queria era ser sanfoneiro".  
      Já em época de calmaria, serve em Juiz de Fora e Ouro Fino, em Minas Gerais. Em 1939, depois de 10 anos de Exército - uma nova lei impedia o reengajamento além desse tempo - tem baixa da caserna.

* A CARREIRA MUSICAL

Ao se desligar do Exército, em vez de voltar a Exu, resolve ficar no Rio de Janeiro, onde desembarcara na companhia de uma sanfona branca comprada em São Paulo. Sua platéia nessa aventura está nas ruas, nos bares, no mangue, passando o pires, com um repertório ao gosto dos marinheiros e suas mulheres de ocasião: tangos, boleros, valsas, canções, foxes. Certa noite, um grupo de universitários cearenses o desafia a voltar às suas origens de sanfoneiro do Araripe. Para satisfazê-los nas suas saudades, retira da memória xaxados, cocos, xotes, xamegos. Bota-lhe então o ideal de um dia tocar a "sua" música para todo o povo do Sul. 
      Precisa superar o receio de não gravar tocando a autêntica música do sertão nordestino. No programa de calouros de Ary Barroso apresenta seu xamego Vira e Mexe. Arrebenta, ganha a nota máxima e um prêmio de quinze mil réis. Voltaria mais um tempo às ruas, bares e cabarés baratos, com o mesmo repertório de sobrevivência. PRIMEIRA GRAVAÇÃO: No dia 05/03/1941 foi levado à RCA Victor para acompanhar uma gravação do cantor e humorista "Genésio Arruda" na gravação de [A VIAGEM DO GENÉSIO] e tem a oportunidade de tocar o Vira e Mexe para o diretor-artístico. É de pronto escalado para gravar (como solista) seu próprio disco, aliás dois, como solista de acordeão: [Véspera de São João] / [Numa Serenata], 78rpm nº 34.744 e, [Saudades de São João Del Rei] / [Vira e Mexe], 78rpm nº 34.748, tudo no mesmo dia, 14/03/1941. 
      No entanto, fica a sonhar mais alto: quer gravar como cantor. Victório Lattari, diretor-artístico da gravadora, não acolhe bem esse desejo, preferindo-o na sanfona. Luiz Gonzaga consegue, porém, ludibriá-lo, usando de um artifício que contou com a participação de Felisberto Martins, seu amigo e diretor-musical da Odeon. E o seu sonho se realiza. 
      Como cantor grava, pela primeira vez, a mazurca Dança Mariquinha, de sua parceria com Miguel Lima, em 1945 (Disco 80.0281).  
      Conhece Humberto Teixeira, um casamento musical que conseguiu criar verdadeiras obras-primas do cancioneiro nordestino, inclusive a sua Asa Branca que voou alto e ganhou o mundo, bem como lançar um gênero musical que dominou o Brasil, o baião. 
      Conhece também Zé Dantas, talvez seu mais importante parceiro, sobretudo porque com ele brotam músicas impregnadas de imensa beleza, tanto na poesia, quanto na melodia, músicas que inspiram sentimentos de amor à terra, de revolta das injustiças sociais - a devastação da terra e o sofrimento de seus filhos, na sede e na fome, diante da insensibilidade dos homens do poder, coisa que se naquele tempo existia imaginem hoje em dia.

* O FIM DO REI DO BAIÃO

Como acontece com todo ser vivo, veio a morte no dia 2 de agosto de 1989 e silencia para sempre, a SANFONA BRANCA e a voz do PERNAMBUCANO DO SÉCULO XX, na Capital Pernambucana. O coração do velho cantador, minado por seis meses de doença (Osteoporose seguida de vários tipos de infecção e uma pneumonia fatal), parou por volta das cinco e meia da manhã. 
Seu corpo foi velado na capital (Recife-PE), de onde partiu no dia no dia seguinte em caro do Corpo de Bombeiros rumo a (Juazeiro do  Norte-CE), a fim de fazer sua última visita à terra do "Padim Ciço" como ele próprio tinha pedido a Gonzaguinha que o fizesse, parando em frente à Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Dai seguiu o cortejo passando na frente da Prefeitura de  (Crato-CE) até (Exu-PE), sua cidade natal.
Somente ai o caixão foi retirado do carro do Corpo de Bombeiros na Matriz do Bom Jesus dos Aflitos onde foi realizado o velório e uma Missa de corpo presente.
Pouco depois das 16:00 h foi sepultado, no dia 03 de agosto de 1989. 

Gonzaga morreu quatro anos depois de tocar em Paris e dois depois de ganhar o Prêmio Shell de Música Popular, o fole de "mau gosto" fazendo-se ouvir entre as paredes nobres do Teatro Municipal. Morreu seis anos depois, enfim, daquele breve namoro com a política: "Serei um deputado feliz - disse ele na ocasião - se ajudar o Brasil a ter consciência de seu sertão".  

Como se sua música já não o tivesse feito.

* ACERVO - (Dados Estatísticos)
 
* AS MÚSICAS

626   gravações   +    991   re-gravações, num total de   1.617   músicas (em diversos formatos de disco)
 
 Em 2008 foi lançada pela REVIVENDO, na Coletânea RVCD-202, a música "RENASCENÇA" (inédita, por não ter sido incluída em nenhum Lp)

* AS AUTORIAS

-   55  músicas de autoria de  Luiz Gonzaga, sem parceiros
 - 239
  músicas de autoria de  Luiz Gonzaga com parceiros     
 - 332
  músicas de autoria de  Outros Compositores     
 
 Totalizando:     626     músicas gravadas

* DISCOS

266 discos gravados em diversos formatos, conforme distribuição abaixo:
 
 -     248  músicas em Compactos de 78 rpm
 -       36  músicas em Compactos Simples
 -       82  músicas em Compactos Duplos
 -       42  músicas em Lp de 10 Polegadas
 - 1.209  músicas em Lp de 12 Polegadas
 
 Totalizando:     1.617     músicas

** Compactos em 78 rpm
125 (Totalizando 248 músicas)
 Cada disco de 78 rpm tem duas músicas, o que totalizaria 250 gravações. Porém,
 
                - no 29º  disco nº 800385 de Fev/1945, teve no 
                "Lado A (PERPÉTUA gravada por Luiz Gonzaga)"  e no 
                "Lado B (ISTO É QUE NÓS QUEREMOS, gravada por Ataulfo Alves)", e
 
                - no 76º  disco nº 801015 de Fev/1945, teve no 
                "Lado A (VASSOURAS, gravada por Os Cariocas)"  e no 
                "Lado B (BEATA MOCINHA gravada por Luiz Gonzaga)"
                
                 totalizando     248     músicas gravadas pelo Rei do Baião em 78 rpm,
 
                                         sendo que: 
 
                                          45   foram compostas por Luiz Gonzaga
 
                                        112   foram compostas por Luiz Gonzaga com parcerias
 
                                          81   foram compostas por outros compositores e
                                           10   foram regravações
** Compactos Simples

19 sendo (12 em 33rpm com 22 músicas) e (7 em 45rpm com 14 músicas), totalizando  36  músicas

** Compactos Duplos

22 sendo (16 em 33rpm com 60 músicas) e (6 em 45rpm com 22 músicas),
 totalizando     82     músicas
 
 OBS.: Das 118 músicas gravadas em compactos, apenas duas compostas por Luiz Gonzaga foram re-gravadas:
             - (FORRÓ NO ESCURO) e - (VIDA DE VAQUEIRO), ambas sem parceria

** LP de 10 Polegadas

6 sendo (todos em 33rpm com 48 músicas) das quais "    42     na voz de Luiz Gonzaga" e "6 gravadas por outros intérpretes", porém, todas já tinham sido lançadas anteriormente em 78 rpm

** LP de 12 Polegadas

94 sendo (todos em 33rpm com 1.180 músicas, em discos próprios, e 29 músicas, Participações Especiais) totalizando     1.209    músicas

 

RESUMO DAS GRAVAÇÕES:   248  +  36  +  82  +  42  +  1209   =   1617 

 
Biografia e dados Estatístico da Carreira do Rei do Baião
Início da Página
 
www.edimilsonmendes.com                                    Atualizado em Abril de 2017                                    Copyright © 2015 - osósia